Blog do Personal Trainer


TREINAMENTO NAS FÉRIAS (ÚLTIMO POST DO ANO)

"Esse ano o treino foi bom!"

 

           Certa vez, meu pai, com seu jeito simples, definiu muito bem um dos princípios básicos do treinamento: de forma cômica, quando perguntado sobre qual é a melhor forma de emagrecer, ele respondeu: “café” (notem que meu pai é aposentado e não estudou absolutamente nada, não chegou a completar o ensino fundamental, o que certamente não o credenciaria a ser um professor universitário mas permitiria que ele fosse Presidente da República). A pessoa se espantou com a resposta e disse: “café emagrece, seu José?” e meu pai lascou “Sim. Principalmente durante a colheita”. Sem querer (querendo), meu pai foi bastante sábio: demonstrou claramente que, feliz ou infelizmente, o no pain no gain é, na maior parte dos casos, absolutamente verdadeiro.

         O que acontece é que muita gente passa o ano inteiro treinando e tira férias agora, aproveitando-se do período de festas natalinas e de Ano Novo. Outros, ao contrário, estão saindo de férias também mas passaram o ano inteiro sedentários, resolvendo treinar em janeiro (logo após a beberagem e a comilança das festas, é lógico). Em qualquer um desses casos, a preocupação é a mesma: o que fazer para começar ou para não ficar tão ocioso?

         Se você encarou um programa sério de treinamento durante o ano, aproveite essa etapa de festas como uma fase recuperativa. Nem atletas de elite treinam pesado o ano inteiro. Peça ao seu treinador ou ao seu personal para que ele elabore alguns exercícios simples, de acordo com o local onde você ficará a maior parte do tempo, apenas para que você não fique totalmente parado (a). Mas não crie "neuras" com isso ou com a sua alimentação: é só não exagerar.

 

 

 

            Se você está sedentário faz um bom tempo e resolveu que janeiro é o mês para tentar tirar o atraso, tenho uma triste informação para lhe dar: NÃO DÁ. Você não consegue ficar “no shape” fazendo um mês de treino e dieta, por melhor que eles forem. Mas dá para melhorar alguma coisa e, quem sabe, incorporar algumas atitudes mais saudáveis, tanto físicas quanto mentais, no seu cotidiano, e voltar para a rotina com outro visual e outro pique. Seguem abaixo algumas dicas:

         - Aproveite a folga, durante os dias em que não estiver viajando, para organizar as suas coisas em casa: livre-se de coisas que não tenham utilidade, organize documentos, organize dados do seu computador, verifique se os seus bens não estão precisando de manutenção. Não sou neurolinguista mas, acredite, ao fazer isso ficará com a mente mais tranquila e mais aberta para fazer coisas diferentes.

         - Comece a caminhar! As caminhadas na representam gastos calóricos absurdos (a não ser que as distâncias sejam muito grandes) mas, pelo menos, você está “dizendo” para seu corpo que a atividade física começou. Quando se sentir a vontade, aproveite as partes retas do seu trajeto e de trotes de 2 a 3 minutos, voltando a caminhar logo em seguida. Funcionará como uma espécie de interval training e o tanto o gasto calórico como o treinamento cárdiorrespiratório são mais proveitosos.

         - Dia sim, dia não, pare para fazer exercícios localizados simples: pequenos agachamentos (procure orientação para não detonar os joelhos), flexões de braços, abdominais. Se não tiver como pedir orientação para um especialista, procure vídeos na Web que mostrem pessoas fazendo exercícios. Dica: treinar com um acompanhante é mais estimulante para ambos, pois um incentiva e serve de espelho para o outro.

         - Dicas sobre nutrição: Gatorade e outros isotônicos não são suco de frutas. São repositores hidroelétrolíticos, ou seja, repõem água e sais minerais (entre eles o sódio, que faz reter água e pode aumentar a pressão arterial). Esses repositores são para pessoas que treinam PESADO durante uma hora ou mais. Está com sede? Água.

         - Suplementos nutricionais são para pessoas que treinam para valer. É horrível ser um treinador ou um profissional que atua em academia e ouvir a famigerada pergunta: O que eu tomo? Minha resposta sincera e honesta é: “nada”. Consulte um Nutricionista (quem quiser um entre em contato comigo por e-mail, conheço um excelente).

         - Comeu como um elefante nas festas e agora acha que vai viver só de água e alface? Fazer isso é sinal de falta de conhecimento e de uma grande dose de masoquismo. O ideal de um programa de emagrecimento é que se perca de 3 a 4 quilos por mês, não mais do que isso. Fazer essas dietas absurdas que aparecem em revistinhas de fofoca podem fazer perder muito peso mas, na verdade, podem gerar o famoso efeito sanfona: emagrecer muito rápido e ganhar tudo de novo, pouco tempo depois, e com juros.

         - Arrume coisas para se ocupar: quanto mais tempo parado, mais ansiedade você acumula e, como é notório, a maioria das pessoas desconta a ansiedade na comida.

         Pessoal, essas dicas são simples mas a maioria das pessoas não as segue. Tente fazer adaptações sutis em sua vida, pois grande parte da população mundial não consegue se adaptar a mudanças bruscas e retorna aos velhos hábitos em pouco tempo. Gostaria de agradecer a todas as pessoas que acessaram meu blog, espero que vocês tenham um Ano Novo cheio de paz, prosperidade e saúde. Abraços e até 2010!

 

"O amor emagrece e embeleza"



 Escrito por Fernando Rhodrigues às 07:37:24 PM [] [envie esta mensagem] []






SYNTHOL: FALTA DE BOM SENSO (E DE UM BOM ESPELHO EM CASA)

                                                                      Três quartos das loucuras não passam de tolice." (Nicolas Chamfort)

 

Bíceps anômalos como resultado de utilização do Synthol

 

 

            Muitos alunos, colegas e amigos me enviaram algumas imagens de “bodybuilders”, onde os mesmos apresentavam músculos com aspecto inchado, pouco definido, mais parecendo um tumor ou algo assim, me perguntando o que teria causado aquilo. Para satisfazer a curiosidade de todos que me perguntaram, vou esclarecer: os cidadãos que apresentam os músculos iguais ao do rapazinho da foto acima usaram um produto que atende pelo nome de Synthol.

         O Synthol é um “trem” que teve suas origens baseadas no mesmo conceito da utilização do Esiclene: gerar músculos sem treinar. O Esiclene foi utilizado por vários builders porque causava uma inflamação no músculo, fazendo-o inchar e ficar com um aspecto um pouco maior. O Synthol é um dos denominados “SEOs” (site enhancement oils, traduzindo: óleo para aumento local) e foi desenvolvido pelo fisiculturista alemão Christopher Clark. Desenvolveu a ideia de utilizar um produto que aumentasse os músculos sem a necessidade de treino e para isso formulou um produto, com auxílio de farmacêuticos, que denominou originalmente de Synthosizze (um nome comercial que mistura synth, de sintético, e size, de tamanho), mas posteriormente o produto ficou conhecido como Synthol.

 

 

 

            Como a lei americana é mais severa com esse tipo de droga, Clark colocou nele o nome de Pump´n Pose e o comercializou para a terra do Tio Sam como se fosse um óleo bronzeador para ser utilizado antes da exibição em uma competição de fisiculturismo. A diferença básica desse óleo, no entanto, é que o Synthol deve ser injetado, e não simplesmente passado sobre a pele. O Synthol NÃO ajuda a aumentar a massa magra (muscular) de verdade, não aumenta a força e não é similar aos esteróides anabolizantes, pois a maioria destes procuram causar no corpo os mesmos efeitos do GH (growth hormon, hormônio do crescimento) e da testosterona, efeitos estes, a despeito dos efeitos colaterais, realmente aumentam o tecido muscular.

 

 

           Para funcionar, o Synthol deve ser aplicado várias vezes ao dia com a utilização de uma seringa com uma agulha grossa, uma vez que uma agulha fina não conseguiria passar o óleo para dentro do músculo (aviso aos masoquistas de plantão: DÓI demais. Como eu sei? Sinceramente, não é necessário experimentar uma coisa dessas para saber que ela causa dor: uma agulha que entra no tecido muscular e espalha um óleo dentro do músculo é, com certeza, uma experiência desagradável). Existe um risco real e sério de, ao inserir a agulha em um músculo (os “alvos” preferidos dos utilizadores de Synthol são as panturrilhas, bíceps, tríceps e ombros), lesionar um nervo, furar um vaso sanguíneo de grande calibre (artéria) ou coisa assim. O famoso builder Milos Sarcev quase foi conhecer J.C., por causa desse óleo. Dentro do músculo, o óleo entrou ocupando um espaço antes dividido pelas fibras musculares, nervos, tecido conjuntivo, etc. Com isso, aparece um grande edema, com aspecto de “tumor inchado prestes a explodir”. Se você observar bem as fotos do post de hoje, verá que os usuários de Synthol apresentam uma severa assimetria entre seus músculos (bíceps grandes e ombros+tríceps pequenos e/ou desproporcionais, por exemplo). A maioria das pessoas “se lasca” usando Synthol acabam apresentam necrose de tecidos, o que requer sempre uma drástica cirurgia, tal qual demonstra a foto abaixo:

 

 

            Como sempre escrevo em meu blog, cada um deve fazer da sua vida o que bem entender (desde que não atrapalhe a vida dos outros), mas o que mostram as fotos são um caso para se pensar: o que foi gasto para aplicar esse “treco” poderia ter sido empregado em alimentação de qualidade, suplementos, consulta a especialista em treinamento e nutrição, e tantas outras coisas melhores e mais proveitosas. Tenho recebido fotos de alguns garotos em baladas que aplicam essa porcaria, ficando com aqueles braços ridículos: ombros estreitos, antebraços fininhos e bíceps que parecem bolas de futsal. Já ouvi de muitos jovens que treinam (principalmente homens – é meninos, em matéria de cuidar da própria saúde as meninas estão anos – luz a nossa frente) que “o que importa é que, no próprio enterro, quinze tenham que carregar o caixão”. Depois de frases inteligentes assim é que admiro cada vez mais o restante da fauna global.

         Boa semana a todos, espero não haver chocado ou estragado a refeição de ninguém. Abraços e até o próximo post!


 


        



 Escrito por Fernando Rhodrigues às 04:49:05 PM [] [envie esta mensagem] []






ZATOPEK: VONTADE DE VIVER ACIMA DE TUDO

                                      "Eu não tinha velocidade. Devo tudo à minha força de vontade." - Emil Zatopek

 

 

                 Como venho falando sobre a importância da motivação, resolvi escrever um pouco sobre um dos maiores atletas da história: o tcheco Emil Zatopek (1922-2000). Emil nasceu em uma numerosa família (contando ele, eram oito irmãos), sendo filho de um casal bastante humilde (o pai operário, a mãe dona de casa). Trabalhava e estudava em uma indústria, onde não recebia salário, apenas comida e abrigo, e aos 19 anos foi obrigado a participar de uma corrida, pois todos os funcionários participavam de uma prova anual de 5000 metros de modo obrigatório; tentou fugir dessa obrigação, dizendo que o joelho estava lesionado, mas o médico da fábrica logo percebeu a tentativa de engodo e “liberou” o jovem Emil para correr. “Já que tenho que correr, vou tentar ganhar” lembrou o próprio, anos depois, em várias entrevistas. Ficou em segundo lugar, entre cem concorrentes, sem nunca haver competido antes. Era o início de uma lenda.

            Em 1939 a nação tcheca estava vivendo sob julgo nazista, cheia de proibições e restrições. Participar de treinamentos era uma forma de se sentir um pouco mais livre, e foi mais um dos fatores que estimulou Zatopek. Dotado de espírito independente e inovador, Zatopek começou a contrariar as ideias de seu técnico e adotou novos meios de treinamento: ao invés de percorrer longas distâncias treinando, fazia vários tiros curtos (30 x 100 metros com boa velocidade, alternados com 100 metros trotando, por exemplo); foi um dos precursores, portanto, do interval training (vários corredores amadores se beneficiariam se procurassem orientação de um profissional de treinamento esportivo; a maioria passa a vida inteira correndo distâncias enormes, correndo risco de lesões e estafa, entre outras coisas). Não bastasse essa inovação, fez outras coisas malucas: correu com botas militares (após a sua experiência na fábrica, seguiu carreira militar, algo que permitiu seguir com mais qualidade sua vida de atleta), máscaras que dificultavam a sua respiração (acreditava que, quando as tirasse para competir, renderia mais) e até mesmo carregando sua esposa, Dana, nas costas.

 

 

                Quem assistia Emil Zatopek correndo não apostaria muito nele: desengonçado em seus 1,70 m / 54 kg, caretas horríveis (alguns diziam que ele “fazia cara de quem estava sendo esfaqueado” enquanto corria), braços compridos cruzando desajeitadamente a frente do peito... No entanto, o tcheco era um monstro de força de vontade, ignorava a dor e o cansaço a todo custo e se tornou um verdadeiro herói olímpico. Sua capacidade para treinar era inacreditável: dez dias antes do embarque para os jogos olímpicos de Londres (1948), Zatopek treinava o absurdo de 60 “tiros” de 400 metros (e ainda trotava alguns metros entre um tiro e outro); hoje em dia, a maioria da espécie humana morre se tiver que ir a padaria sem carro... Zatopek ganhou ouro no 10.000 metros e prata nos 5000 metros, perdendo por uma passada para o campeão Gaston Reiff, e sendo mais ovacionado que este, por sua absurda capacidade de recuperação durante a prova.

            Mas o que elevou Emil a um status de deus olímpico foi a Olimpíada de Helsinque, na Finlândia, em 1952. A Finlândia era um terra notória por seus excelentes corredores, entre eles o lendário Paavo Nurmi, de quem Zatopek era um ardoroso fã. Na prova dos 10.000 metros, arrebentou com os adversários, não dando chance a ninguém e faturando o ouro. Zatopek havia ido apenas disputar os 10 km e a maratona, prova da qual não tinha quaisquer experiências anteriores. Mas, mostrando sua personalidade forte, quis competir nos 5000 metros também. Zatopek não era considerado nem de perto um favorito para esta prova: nela estavam Reiff (campeão da prova nos jogos anteriores), o alemão Herbert Schade (que havia feito brilhante temporada em 1951), o inglês Chataway e todos os medalhistas da prova dos 10.000 metros. Como estratégia, Zatopek preferiu ficar no “bolo” durante quase toda corrida, esperando apenas pela última volta. Na sétima volta, surpreendeu o alemão Schade convidando-o para “correr duas voltas comigo na frente” (Zatopek falava fluentemente sete idiomas). Quando começou a última volta, Emil ficou decepcionado: procurou dar uma arrancada, mas notou que Chataway, Mimoun e Schade estavam a sua frente. Segundo suas próprias palavras pensou: “Para eles ouro, prata e bronze e para mim uma batata? Nunca!”. Ultrapassou a todos a menos de 100 metros da chegada e venceu, para delírio do povo finlandês que lotava o estádio. Na foto abaixo, o momento em que Zatopek acabara de assumir a liderança (ao fundo, vê-se o inglês Chataway em “queda livre”):

 

 

 

 

                    Dana Zatopekóva, esposa de Emil, também era uma atleta olímpica e estava no estádio enquanto o marido corria os 5000 m. Preferiu não assistir, pois a sua prova (lançamento de dardo) era momentos após a corrida do marido. Dana e Emil eram nascidos no mesmo dia, mês e ano, e por uma tradição familiar só se casaram porque Emil conseguiu provar que era 4 horas mais velho que Dana. Não obstante, Dana obteve o ouro em sua prova, o que gerou o cômico comentário de seu marido: “a contagem, agora, na família Zatopek, está 2x1”. No dia da maratona, Emil procurou o inglês Jim Peters na largada, que era o então recordista mundial e favorito a vitoria. Encostou nele, desejou boa sorte e não obteve resposta. Zatopek era tão simples que não pegou água, frutas ou o chocolate que eram oferecidos pelos assistentes da prova pois achou que teria que pagar por eles depois. No quilômetro 15 da maratona, enquanto Peters já liderava, Zatopek encostou nele e perguntou: “Desculpe-me, mas o ritmo não está muito forte?” ao que o ingles respondeu:”Não, está lento”. Só restou ao incledulo “filho da rainha” assistir a Zatopek convidá-lo para acompanhar seu ritmo e correr junto dele.

            Quando viu a proximidade, Zatopek se destacou e venceu sozinho, solitário, tal como treinou a vida inteira. As pessoas gritavam seu nome, lhe davam tapinhas nas costas, ciclistas o acompanham...Emil venceu a prova, bateu o recorde e ganhou a “tríplice coroa”, coisa nunca mais vista em Olimpíada nenhuma.

            Em 1953, Emil veio ao Brasil competir na São Silvestre, vencendo a prova com extrema facilidade e sendo ovacionado pela população paulistana. Zatopek é um atleta dos tempos do amor ao esporte: nunca ganhou mais que o suficiente para o “pão de cada dia”, foi um homem honrado e com certeza um deus olímpico. É um dos raros seres humanos a qual o Universo não deu o direito de ser simplesmente medíocre.

 

O que o praticante de atividade física comum pode aprender com um atleta fascinante como Zatopek? Simples:

            - É necessário vencer a si mesmo: lutar contra o desapontamento, a descrença, a dor física e mental, a falta de incentivos...você deve encontrar um objetivo maior e pessoal, e não ficar simplesmente tentando agradar apenas aos familiares e a sociedade;

            - Você reclama da sua vida? Em 1968, Zatopek era coronel do exército tcheco e um reverenciado astro olímpico, algo que não impediu que as tropas do pacto de Varsóvia invadissem a então Tchecoeslováquia; sua patente militar foi cassada, proibido de viajar ao exterior e expulso do Partido Comunista; para sobreviver, o astro olímpico precisou se submeter a serviços de segurança e faxina. Somente anos depois tudo voltou ao normal para a vida do casal Zatopek. E você acha que pegar trânsito com seu carro zero é um problema?

            - Para encerrar, uma frase do próprio Zatopek:   “Você não sobe ao segundo andar sem uma escada. Quando fixa objetivos muito altos e não os atinge, o seu entusiasmo se torna amargura. Fixe objetivos razoáveis e, então, gradualmente, eleve-os.”

            Abraços e até o próximo post!

 

    

Zatopek é beijado pela esposa após vencer a maratona



 Escrito por Fernando Rhodrigues às 09:41:08 AM [] [envie esta mensagem] []






TREINAR VALE MESMO A PENA? - PARTE II

"A preguiça anda tão devagar que a miséria facilmente a alcança" - Benjamin Franklin

 

 

        Primeiramente, gostaria de fazer duas coisas: primeiro, agradecer a todos que acessam meu blog (+ de 30.000 acessos!) e segundo, me desculpar pela demora em postar (andei bastante ocupado esses dias, não foi de propósito). Hoje, vou dar continuidade do post anterior e tentar mostrar maneiras para que você inicie um programa de atividade física associada a uma melhor alimentação procurando um incremento à sua própria saúde.

         Conforme já havia escrito no post anterior, o número de anos que uma pessoa vive é determinado por fatores genéticos associados ao modo de vida de cada um. Uma pessoa nasce com um “limiar” de anos em que irá viver e tem “débitos” nesse número quando associa a sua vida a alguns fatores: tabagismo, uso de drogas, colocar-se em situações de risco, doenças, estresse sempre elevado, sedentarismo, entre outros fatores. Como também já havia escrito, o importante não é simplesmente pensar em “quanto” se irá viver, mas “como” irão ser usufruídos esses anos de vida. Quem já teve problemas de saúde (ou seja, basicamente toda população mundial) sabe que, quando se perde a mesma tudo se torna mais difícil. Não adianta ser um bilionário de grande sucesso e receber a notícia de que irá morrer em pouco tempo, não podendo aproveitar o que se leva, na maioria das vezes, uma vida inteira de sacrifícios para conquistar.

         Em posts antigos, já apontei o erro da maioria das pessoas que iniciam um programa de atividade física (aliado ou não a dieta):

1)     Traçam metas inatingíveis: querem um resultado “x” mas treinam de forma “y” ou colocam um prazo mínimo para perder quilos que levaram anos para acumular;

2)     Não estabelecem de forma clara o que desejam realmente ao fazer atividade física.

 

 

 

Observe a imagem acima. De um lado, temos uma moça bodybuilder e um rapaz com um físico normal. O primeiro ponto de quem começa uma atividade física é verificar qual é o motivo pela qual pretende inicia-la. Entre eles, podemos listar:

1)     Manutenção e / ou melhora da saúde de um modo geral

2)     Performance esportiva (participar de provas de corrida ou de fisiculturismo, por exemplo, ou mesmo treinar para participar de uma competição esportiva profissional).

3)     Melhora estética

Muitas vezes quando entrevistamos os alunos, eles nos listam os itens acima de forma combinada: querem melhorar a estética mas levando em conta a saúde, querem participar de uma corrida mas ficar com os braços ou a barriga mais “sarados”, etc. Eu diria que, na verdade, o que as pessoas estão querendo melhorar realmente é a auto-estima. Perder a saúde é deprimente, nos faz refém de cuidados alheios e a maioria das pessoas não é muito fã disso. Ter uma boa performance esportiva traz satisfação pessoal, sensação de vitória e é altamente recompensador. Melhorar a estética tornou-se um dos maiores objetos de desejo em nossos tempos: a televisão a todo o momento exibe rapazes e moças com corpos esculturais, e suas imagens são associadas ao sucesso social, ascensão profissional e conquista de bens materiais. Os erros comuns para esses três MOTIVOS para fazer atividade física fracassarem em pouco tempo são:

1) Para melhorar a saúde, é necessário fazer determinadas coisas de forma regular: se a sua saúde depende de medicação regular, é necessário tomá-la do modo que foi prescrito pelo seu médico (você ficaria impressionado com o número de pessoas que ignora as recomendações médicas); treinar de forma regular (procurando uma atividade física que você realmente se identifique e goste pois, caso contrário, as chances de você abandonar as sessões de treinamento são gigantescas); adotar uma atitude mental mais positiva e firme; melhorar a qualidade da sua alimentação.

2) Se você treina para um determinado esporte de forma amadora, prepare-se mentalmente para as quantidades de esforço e as dietas para as quais você terá que se submeter para obter os resultados que almeja; se você treina para um esporte e participará dele de forma profissional, prepare-se para o massacre: para obter bons resultados, a dedicação deve ser integral, de corpo e alma.

3) Para melhorar a estética, são necessárias algumas coisas: a) foco mental no modo como você gostaria de ficar após certo período de tempo (SEM VIAJAR NA MAIONESE! Você não pode esperar obter o corpo de uma modelo ou atriz famosa em pouquíssimo tempo e deverá tentar encontrar o foco de sua própria beleza; muitas pessoas se frustram demais por esperar obter através de treinos e dietas o físico de uma estrela ou astro de Hollywood quando, na verdade, sua genética simplesmente NUNCA permitirá obter isso. Aí, começam a recorrer a infinitas cirurgias plásticas, medicamentos, drogas, etc., o que certamente irá gerar depressão e outras doenças); b) procure uma atividade física que você realmente GOSTE – cansei de ministrar aulas de ginástica em academia em que a pessoa chega e me diz “Ah, vou fazer a sua aula, disseram para mim que sua muita” e então a pessoa fica totalmente frustrada por não conseguir acompanhar o ritmo da aula ou não gostar dos movimentos ou da música; c) alimente-se com maior qualidade: pequenas mudanças em seus hábitos alimentares podem proporcionar melhoras significativas e ajudam você a obter resultados nem sempre tão rápidos mas com certeza mais duradouros.

         No casal da foto acima, pelo menos aparentemente podemos dizer que cada um está feliz do jeito que está. Encontre o SEU motivo para praticar atividade física e estabeleça METAS viáveis dentro de um determinado prazo.

 

 

Após estabelecer seu MOTIVO para não ser sedentário (pelo menos não totalmente sedentário) e estabelecer METAS, vou dar algumas dicas para que você consiga obter isso e se torne uma pessoa mais feliz, caso da foto da lhama acima (só espero que seu sorriso esteja em melhor estado):

- Faça uma lista sobre o que deixa você muito estressado(a). Leia a lista e veja que para a maioria das coisas que você escreveu, seu estresse é inútil: uma das coisas que coloquei em primeiro na minha própria lista é ODEIO TRÂNSITO LENTO OU PARADO. Após analisar isso, vi que, ficando estressando ou não, o trânsito infelizmente não melhora. Dizer palavrões, trocar de pista toda hora, me aborrecer com os outros motoristas não soluciona o problema e prejudica a minha saúde. Então, que tal adotar uma estratégia mais saudável? A minha foi ouvir música ou ler alguma coisa (somente quando o carro está totalmente parado, é lógico!). Faça a sua lista e procure soluções mentais positivas;

- Hidrate-se com mais qualidade! Beba líquidos de forma esporádica durante todo dia, eles lubrificam seu corpo, deixam sua pele mais bonita e ajudam a eliminar toxinas. Cuidado com os refrigerantes, mesmo os dietéticos: a quantidade de sódio é alta e faz com que você retenha líquido (o que é péssimo esteticamente principalmente para as mulheres);

- Você não come vegetais? Então está perdendo a oportunidade de ter uma digestão melhor, obter vitaminas e sais minerais de forma mais barata e fortalecer seu sistema imunológico;

- Vitamina C e cálcio fazem bem ao organismo e combinam.Café em excesso e cálcio não combinam (o café possui substâncias que atrapalham o organismo na absorção do cálcio presente no leite, por exemplo);

- Organize as coisas em casa: além de gastar umas calorias extras, o ato de organizar faz com que o cérebro fique mais “energizado” para realizar outras coisas;

- Ingira bebidas alcoólicas de forma mais moderada: o álcool te faz engordar (é extremamente calórico), envenena o fígado, desidrata e ataca células cerebrais;

- Comece a fazer atividade física de forma lenta e vá aumentando progressivamente (quando estiver pronto psicologicamente para treinar de verdade, procure orientação com um bom profissional de Educação Física);

- Coma pouco várias vezes ao dia. Seu metabolismo ficará mais “esperto” e o consumo de gorduras em repouso aumentará;

- Veja menos televisão. A TV é, hoje em dia, um enorme agente estressor;

- Seja mais feliz!

Obrigado a todos que tiveram paciência para ler até aqui. Até a próxima!

 



 Escrito por Fernando Rhodrigues às 09:57:06 AM [] [envie esta mensagem] []






TREINAR VALE MESMO A PENA? - PARTE I

 

BARRIGA É BARRIGA (Crônica de Arnaldo Jabour)

 ”Barriga é barriga, peito é peito e tudo mais”... Confesso que tive a agradável surpresa de ver Chico Anísio, no programa do Jô, dizendo que o exercício físico é o primeiro passo para a morte. Depois de chamar a atenção para o fato de que raramente se conhece um atleta que tenha chegado aos 80 anos e citar personalidades longevas que nunca fizeram ginástica ou exercício - entre elas o jurista e jornalista Barbosa Lima Sobrinho - mas chegou à idade centenária, o humorista arrematou com um exemplo da fauna: a tartaruga com toda aquela lerdeza, vive 300 anos. Você conhece algum coelho que tenha vivido 15 anos? 

Gostaria de contribuir com outro exemplo, o de Dorival Caymmi. O letrista compositor e intérprete baiano era conhecido como pai da preguiça. Passava 4/5 do dia deitado numa rede,bebendo, fumando e mastigando. Autêntico marcha - lenta, levava 10 segundos para percorrer um espaço de três metros. Pois mesmo assim, e sem jamais ter feito exercício físico, viveu 90 anos. 

Conclusão: Esteira, caminhada, aeróbica, musculação, academia? Sai dessa enquanto você ainda tem saúde... E viva o sedentarismo ocioso !!! Não fique chateado se você passar a vida inteira gordo. Você terá toda a eternidade para ser só osso !!! 

Então: NÃO FAÇA MAIS DIETA !! Afinal, a baleia bebe só água, só come peixe, faz natação o dia inteiro, e é GORDA ! O  elefante só come verduras e é GORDOOOOOOOOO! VIVA A BATATA FRITA E O CHOPP!

Você, menina bonita, tem pneus? Lógico, todo avião tem! 

E nunca se esqueçam: Se caminhar fosse saudável, o carteiro seria imortal... 

 

 

              Faz um certo tempo que conheço essa crônica do brilhante Arnaldo Jabour. Ela voltou a minha memória esses dias, quando um amigo a enviou para mim. Eu a considero divertida, acreditem, e gostaria de usá-la como ponte para o tema que coloquei acima: Treinar vale a pena? Evidentemente, para "defender o meu peixe", vou provar que sim.

 

            Sabemos que os organismos vivos envelhecem. O número de anos de um ser vivo é determinado geneticamente: algumas espécies realmente chegam a viver mais de cem anos, enquanto algumas vivem apenas poucos anos. Com o ser humano não é diferente. O que determina o motivo pela qual alguns seres humanos vivem muitos anos e outros não conseguem atingir grandes idades ainda é um mistério, mas é bem conhecido e comprovado pela ciência que podemos controlar vários fatores externos que nos permitem prolongar ou encurtar a vida. Hábitos como fumar, beber em excesso, usar drogas são apenas alguns dos fatores que tem grande influência sobre o fato de ser uma pessoa com uma longa vida ou não.

         Na crônica de Arnaldo Jabour, ele cita o exemplo do cantor baiano Dorival Caymmi. Realmente, o baiano levou pelo menos cinco anos para morrer repentinamente. Mas o fato de não se exercitar e não fazer nenhum tipo de dieta específica não explica a longevidade do artista baiano. Além da genética privilegiada que permitiu isso, creio que o fato de não ser nem um pouco estressado ajudou bastante. Imagine o que acontece com seu organismo com a constante exposição do mesmo à poluição (visual, sonora e química), agentes estressores sociais (necessidades impostas pela sociedade tais como ser uma pessoa de sucesso profissional e familiar, ser uma pessoa esteticamente atraente, honrar todos os compromissos, suportar a violência vigente da sociedade e o modo como os elementos da mídia exploram a mesma, entre outras coisas), agentes estressores químicos (alimentação de baixa qualidade, utilização de drogas e bebidas alcoólicas, exposição a várias doenças epidêmicas) etc. Se não houver da sua família que tenha advindo do meio rural, tente conhecer a história dessas pessoas. Muitas delas cresceram sem geladeira e televisão, se alimentando com carnes gordurosas que eram conservadas em banha (não havia freezer, lembra?) e a alimentação dessas pessoas, segundo pesquisas, era muito maior do que a que fazemos onde em dia. Então, por que essas pessoas não tinham tantos problemas cardíacos, hipertensão, diabetes, mal de Alzheimer, e tantos outros males cada vez mais comuns hoje em dia e atingindo muitas vezes pessoas na tenra idade? A verdade é que vivemos uma vida muito mais estressante e sedentária; nossos pais, avós e bisavós muitas vezes trabalhavam no campo, não eram obrigados a ver a nossa “TV desgraça” de todo dia, não pegavam um trânsito infernal todos os dias, faziam muito mais atividade física, comiam muito mais comida e eram bem mais simples e felizes. A sociedade atual, de certo modo, impõe ao cidadão uma grande necessidade de SER e TER. SER uma pessoa bem sucedida, SER uma pessoa bem sucedida nos âmbitos financeiro – social – acadêmico, SER uma pessoa que atenda a padrões estéticos impostos pelas propagandas e suas modelos esquálidas, TER aquele carro do ano, TER aquela casa, TER o animal de estimação mais bonito, TER aquele companheiro (a) com cara de estrela de Hollywood, entre outras coisas. Isso tudo gera estresse e ansiedade extremos, que acabam por se manifestar em nossos organismos como enxaqueca, insônia, depressão, sistema imunológico baixo, obesidade, entre outras coisas piores.

 

             

 

 

 

            A gordura funciona em nosso organismo como barreira protetora e como isolante térmico. Muita gente acumula peso exatamente para criar barreiras contra o mundo externo; se analisarmos essas pessoas, estão cheias de medo, ansiedade, insegurança... Essa ansiedade direcionada para comida prejudica muito a saúde; uma pessoa com altos níveis de ansiedade como por impulso e mesmo que não o faça, pode acabar engordando por produzir altos níveis de cortisol. O que é cortisol? É um hormônio liberado em nosso organismo quando estamos estressados. Ele tem uma função anestésica e, na verdade, é bastante útil para nosso organismo. O problema é que, quanto mais estressados, mais cortisol, e esse hormônio tem como fato negativo sua grande capacidade de escalpelar a nossa musculatura esquelética. Aí, fica fácil entender como se engorda mesmo não comendo muito: menos massa muscular = metabolismo mais lento = acúmulo de gordura. Então, o combate ao estresse é uma ferramenta fundamental para uma qualidade de vida maior (com consequências benéficas para a saúde e a estética).

         No texto de Jabour, ele fala sobre a longevidade baixa dos atletas. Realmente, é muito raro que um atleta se torne uma pessoa bastante idosa. Já expliquei, em posts antigos, que ESPORTE NÃO É SAÚDE. Qualquer esporte, quando praticado como meio de entretenimento e busca da saúde, é altamente positivo. No entanto, atletas de elite treinam MUITO além do normal e, para algumas modalidades, COMEM muito além do normal (fora a utilização de alguns “aditivos” químicos, vamos chamá-los assim...). Quando treino uma pessoa, muitas vezes ela acaba ficando frustrada e desanimada ao verificar a quantidade de trabalho (treino pesado) e o controle nutricional necessários para obter aquele corpo das capas de revista (sem photoshop, por favor). Ao treinar, você precisa de um foco bastante claro do seu momento atual e o que você espera de si mesmo após “x” tempo de treinamento. Corpos esculturais exigem dedicação integral, assim como acredito acontecer com quaisquer outras carreiras.

 

            Ninguém é imortal. Já vi muitas pessoas dizerem “vou fazer isso ou aquilo, afinal, vou morrer mesmo”. A morte é a única e inabalável certeza da vida, por incrível que pareça; e o problema, para mim, não é quantos anos irá se viver, mas COMO iremos viver. Viver se torna muito mais interessante com saúde, qualidade de vida e satisfação pessoal. Pense nisso!

              Em meu próximo post, irei escrever sobre meios de abandonar a vida sedentária sem se furtar dos prazeres da vida. Abraços e até a próxima!

 



 Escrito por Fernando Rhodrigues às 07:56:27 PM [] [envie esta mensagem] []






FALANDO DE DIETAS E DE ADIPÓCITOS - MAIS UMA VEZ!!!

Pergunta ao prof. Fernando: "Fernando, é possível ficar rico com livros de auto-ajuda?" - Resposta: "É claro que sim gafanhoto. Principalmente se você escrever um e ele se tornar um best-seller".

 

 

                Estou aqui mais uma vez escrevendo sobre dietas (pelo visto, vou acabar fazendo uma Faculdade de Nutrição). O problema é que, como nunca vou me cansar de repetir, que a saúde e a boa forma física estão atreladas a dois pilares: atividade física e dieta. Um bom personal ou preparador físico precisa conhecer muito sobre alimentação, não dá para simplesmente ter um conhecimento apenas baseado no senso comum. É absolutamente necessário que o profissional conheça muito sobre o assunto e esteja sempre estudando e se atualizando ( a única coisa que, na minha opinião, fere a ética profiissional, ocorre quando o profissional de Educação Física tenta prescrever dietas; isso é papel do Nutricionista). Hoje, vou comentar sobre uma nova dieta da moda: ela atende pelo nome de "Dieta de Jesus e seus discípulos". Como envolve dois assuntos que as pessoas adoram (religião e dietas), tenho certeza que esse tema levantará muitas polêmicas.

              Muitas vezes sou questionado, pessoalmente e por e-mail, qual é o meu problema com as dietas da moda; ouço muitas pessoas dizerem: “você criticou a dieta tal mas comigo, ela funcionou”. Devolvo sempre com outra pergunta: “Será que funcionou realmente?”. O leigo que deseja perder peso se preocupa apenas com aquele número maldito que aparece na balança e deseja, no mais fundo de seu íntimo, que aquele número esteja cada vez menor. No entanto, emagrecer de verdade é diminuir o percentual de gordura que temos no corpo, e não simplesmente perder água e músculos.

         As células de gordura recebem o nome de “adipócitos”. Uma pessoa com um peso “normal” tem cerca de 27 bilhões dessas células de gordura. Uma pessoa muito obesa (com mais ou menos 150 kg) tem cerca de 75 bilhões. Os adipócitos são hiperplásicos, ou seja: se um deles fica “cheio” de gordura, o organismo cria um novo depósito, não é horrível? Mas há uma coisa pior ainda: imaginem um homem de 45 anos, com 1,83 e que esteja pesando 150 kg. Vamos partir do pressuposto que, durante um ano inteiro, ele fez uma reeducação alimentar séria e também fez atividade física regular; após um ano, chegou aos 75 kg, ou seja, perdeu metade do seu peso original. A pergunta é: os seus adipócitos diminuíram? A resposta é: NÃO. Leia isso de novo, eu não digitei errado. Apesar de haver perdido muitos quilos, ele continua com os mesmos 75 bilhões de células de gordura. O que aconteceu é que a quantidade de gordura desses adipócitos diminuiu. Ele não conseguiu perder NENHUM desses depósitos (o que faz com que, caso ele cometa qualquer deslize na dieta, acabe fazendo com que ele seja novamente obeso). Triste, não?

        Esse é o motivo pela qual eu critico tanto as dietas da moda. O “combustível” primordial para o cérebro é a glicose. Nosso organismo consegue acumular glicose nos músculos e no fígado sob a forma de glicogênio. O ser humano armazena algo entre 375  475 g). Para “ficar” em nosso corpo, cada grama de glicogênio precisa de certa quantidade de água. Quando você faz uma ingestão muito pobre em carboidratos (que são formados por moléculas de glicose), o seu cérebro solicita o glicogênio dos músculos e do fígado; com isso, perde-se facilmente de 3 a 4 kg. Isso é bom? É claro que não! Você não diminuiu gordura corporal de forma significativa, você apenas depletou os estoques de glicogênio do organismo. Quando você voltar a comer normalmente, a recuperação do peso (na maioria dos casos, com juros) é inevitável. A dieta de que falei acima é um exemplo disso. O livro tornou-se mais um best-seller e segue um modelo clássico dos autores de livros no ramo: um autor que coloca um “Dr” em frente ao nome, um assunto polêmico (dieta das celebridades, dieta do tipo sanguíneo, dieta da Bíblia) e algumas recomendações nutricionais de valor duvidável. Um aluno me enviou um modelo da dieta e, mesmo correndo o risco que algum(a) leitor(a) maluco(a) a siga, vou publicá-la aqui (entre parênteses e em itálico vão os meus comentários): 

- Essa é a dieta da Bíblia. Todos os alimentos aqui contidos são citados nela.

- Comece na segunda-feira (Por que toda dieta tem que começar segunda?)

No 1º e 8º dia:

MANHÃ: 1 fatia de pão de centeio, 1 xícara de iogurte com 1 colher (sopa) de aveia
ALMOÇO: 1 filé de peixe, 1 prato de salada de pepino com cebola (e quem não gosta de cebola faz o quê?) e 3 colheres (sopa) de milho em conserva.

LANCHE: 1 fatia de melão

JANTAR: 1 prato de sopa de lentilha (na Palestina onde os judeus se desenvolveram não havia feijão, eles comiam lentilhas; o problema para nós é que o quilo de lentilha é mais caro que o feijão, não é?).

CEIA: 1 xícara de Chá de zimbro

No 2º e 9º dia:

MANHÃ: 1 fatia de pão de centeio, 1 xícara de leite com 1 colher (sopa) de aveia
ALMOÇO: 1 bife médio de carne, 1 pepino grande cru com 3 colheres (sopa) de milho em conserva.

LANCHE: 1 maçã

JANTAR: 1 prato de vagem cozida com 1 ovo cozido

CEIA: 1 xícara de Chá de zimbro (Nas HQs, o zimbro é colhido pelo druida Panoramix para elaborar a poção que dá força extraordinária aos gauleses, principalmente Asterix; será por isso que esse chá está na dieta?).


3º e 10º dia

MANHÃ: 1 copo de suco de melão, 2 fatias de queijo.

ALMOÇO: 1 filé de peito de ave, 1 prato de salada de pepino com cebola e 3 colheres (sopa) de milho em conserva.

LANCHE: 5 ameixas pretas

JANTAR: 1 ovo cozido, 1 prato de lentilha cozida (ovo+lentilha é uma ótima combinação para gerar flatulência).

CEIA: 1 xícara de Chá de zimbro (Zimbro de novo? Obelix, o eterno parceiro de aventuras de Asterix, caiu em um caldeirão de zimbro quando era criança. Não foi bom para que ele emagrecesse, pelo visto).


4º e 11º dia

MANHÃ: 1 fatia de pão de centeio, 1 xícara de leite com uma colher (sopa) de aveia.

ALMOÇO: 1 bife médio de carne, 1 prato de vagem cozida com 3 colheres (sopa) de milho em conserva.

LANCHE: 1 cacho de Uvas

JANTAR: 1 prato de sopa de lentilhas

CEIA: 1 xícara de Chá de Zimbro

5º dia

MANHÃ: 1 fatia de pão de centeio, 1 xícara de iogurte com uma colher (sopa) de aveia.

ALMOÇO: 1 filé de peito de ave, 1 prato de salada de pepino com cebola e 3 colheres (sopa) de milho em conserva.

LANCHE: 1 maçã, 10 amêndoas e 10 azeitonas (Que combinação horrível para um lanche).

JANTAR: JEJUM, ingerir somente água (O 5º dia corresponde à sexta-feira. Estaria o autor da dieta recomendando algum tipo de jejum religioso, como o Yom-Kippur? O jejum vai do jantar do quinto dia até o jantar do sexto. Que massacre para o metabolismo!).

6º dia

MANHÃ,ALMOÇO E LANCHE:

JEJUM, ingerir somente água (Nesse momento, você deve estar tão irritado(a) pela falta de glicose que provavelmente está propenso a se tornar um serial-killer).

JANTAR: 1 prato de lentilha cozida, 1 prato de salada de pepino com cebolas e 3 colheres(sopa) de milho em conserva.

CEIA: 1 xícara de Chá de zimbro

7º dia: (Domingo)

MANHÃ: 1 copo de suco de melão, 2 fatias de queijo.

ALMOÇO: 1 filé de peixe grelhado, 1 prato de lentilhas cozidas.

LANCHE: 5 ameixas pretas

JANTAR: 1 ovo cozido, 1 prato de fava(vagem) cozida e 3 colheres (sopa) de milho em conserva.

CEIA: 1 xícara de Chá de zimbro

 

 

Ainda existem as seguintes recomendações para a dieta da Bíblia:

1)     Ela deve ser feita por no máximo 11 dias e presume-se que você perca 4 quilos (só 4 quilinhos para ficar quase duas semanas bebendo um monte de água? Ridículo. Essa perda é de peso, tenho certeza que se perde pouquíssima gordura fazendo isso).

2)     Se for adoçar uma bebida, use mel (Tem lógica. O açúcar ainda não era utilizado. O problema é que o mel é tão calórico quanto o açúcar, é apenas mais saudável que este último).

3)     Álcool é proibido, só é permitido o vinho (Não havia alambique na Judéia. O mais próximo do “mé” é o vinho. Álcool é calórico em qualquer bebida).

4)     Ingerir água antes, durante e após as refeições ou quando estiver com fome (água tem zero caloria; não dá para eliminar a fome tomando água, isso é totalmente incoerente).

 

         Não bastassem esses absurdos, a dieta da Bíblia usa o velho Testamento para fazer recomendações que estão no livro do Gênesis, tais como: não comer carne de animais que não ruminam, não beber leite e derivados junto com a carne, não comer frutos do mar como camarão, ostra, etc. Sinceramente? Reeducação alimentar é melhor, mais saudável e mais funcional. Espero que tenham gostado do post (e que não tentem fazer essa dieta maluca!). Abraços!


Mé!

     

 



 Escrito por Fernando Rhodrigues às 12:14:21 PM [] [envie esta mensagem] []






MOTIVAÇÃO PARA TREINAR, SEGUIR DIETAS, ETC. -PARTE III

                 "Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer!" (Mahatma Gandhi)

 

Trad.: Sucesso é 99% fracasso.

 

                            Em meu último post, escrevi sobre o correto encaminhamento da mudança corporal (e porque não dizer, mental) de Samira, que resolveu adotar um estilo de vida mais saudável, encarando com seriedade a atividade física e a reeducação alimentar. Hoje vou falar sobre a chave para atingir o sucesso, seja ele no campo da saúde, das finanças, do relacionamento e tudo mais. Essa chave se chama MOTIVAÇÃO.

            Estar realmente motivado para fazer alguma coisa não é tão simples como parece; se fosse assim tão fácil, o mundo seria o paraíso dos bem – sucedidos. Quando olhamos para a nossa espécie, a raça humana, vemos que não é bem isso que acontece: a maior parte da população global não desfruta da vida, apenas luta diariamente pela sobrevivência. Parece que o sucesso não é para todos, mas apenas para alguns afortunados que nasceram com a região glútea voltada para Lua. Vamos analisar alguns fatos e verificar o que é necessário para encontrar aquela força interior, para que esta se transforme em motivação real para que possamos atingir nossos objetivos.

         O ser humano tornou-se um animal bastante complexo (e ao mesmo tempo, bastante complexado). Tornamos-nos a espécie dominante no planeta por possuirmos um encéfalo mais desenvolvido (apesar de ver alguns seres humanos fazerem coisas que fazem com que muitas vezes eu duvide disso). O ser humano cresce ouvindo centenas de milhares de “nãos”: não pode isso, não faça aquilo, cuidado para não se machucar, etc. Lembro-me de quando eu era criança e ia atravessar a rua de mãos dadas com a minha mãe e ela dizia “Olhe a Morte chegando”... esse tipo de condicionamento negativo cria, dentro da mente, estereótipos ligados ao fracasso. As pessoas, principalmente nós aqui do Ocidente, temos uma cultura de superproteção: se vemos uma criança cair ou chorar, corremos aos bandos ao redor dela e fazemos aquela cara de pena, chamamos o pequeno de “coitadinho”, entre outras coisas. Não estou querendo dizer, com isso, que não devemos ir cuidar da criança quando ela se acidenta; estou dizendo que devemos tentar aliviar para a criança o estresse gerado pela queda ou acidente, mostrar (mesmo que estejamos morrendo por dentro) que estamos seguros e confiantes na recuperação do pequeno. A escola hoje é, de um modo quase geral, um fracasso por causa disso: ficamos com dó dos anjinhos quando eles tem muita lição de casa para fazer, minimizamos seus fracassos escolares, nunca damos razão aos professores quando eles se queixam de nossos pequenos. Sei disso porque sou professor e sei que nós também erramos, assim como qualquer ser humano. No entanto, a maioria dos pais prefere sempre afagar os seus filhos e achar que tudo que eles fazem é “fase” ou que “uma hora vai passar” ou que “eles são muito pequenos para entender”. Tudo isso é balela, crianças entendem TUDO desde que estão sendo gerados dentro da mãe. A constante motivação negativa faz com que o adulto fique preso a uma situação contraditória: ele foi condicionado por uma série de “nãos”, porém, cresceu vendo na televisão (a baba eletrônica) que fracassar é ruim. Daí, quando ele quer ou precisa emagrecer e diz coisas do tipo: “Eu não quero engordar”, o subconsciente entende algo como: “Ei, o Juca está querendo aumentar os pneus”. Isso tudo parece conversa de neurolinguística mas na verdade, não é. Mostra que o cérebro funciona de forma mais positiva através de modos e exemplos mais positivos e saudáveis do que negando e tendo ansiedade e medo o tempo todo.

 

                          "Nenhuma grande vitória é possível sem que tenha sido precedida de pequenas vitórias sobre nós mesmos". (L. M. Leonov) - As vezes, a diferença entre sucesso e fracasso é de poucos metros...

 

         No Yôga, temos uma afirmação: do mesmo jeito que a mente influencia o corpo, o corpo influencia a mente. É notório que o ser humano costuma imitar as expressões das pessoas que estão a sua frente; em um supermercado, muitas vezes o cliente mal olha para quem está no caixa passando as suas compras; mantém o rosto sério e carrancudo, e depois ainda vai embora reclamando que a atendente estava de mau humor. Se você sorrir e for educado, dificilmente não receberá o mesmo de volta. Assim é com você e sua própria auto – estima: quando você não consegue se olhar no espelho e gostar do que vê, está criando um paradigma negativo que pode ter efeito em toda sua vida: afastar possíveis relacionamentos afetivos, perder oportunidades de trabalho, não conseguir sucesso escolar por se considerar incapaz, entre outras coisas. A quebra desse paradigma é necessário para que você consiga a motivação necessária para buscar seus objetivos.

         Voltando a pensar em objetivos, vamos fazer um ranking dos motivos pela qual você deseja fazer atividade física e dieta:

1 – Melhorar a estética

2 – Melhorar a saúde

3 – Aumentar a disposição

4 – Diminuir o estresse.

         Analise esses desejos a fundo. Na verdade, você está tentando obter o intangível através do tangível. Como assim? Vou explicar. É o mesmo que ocorre quando você quer comprar um carro zero muito bonito e muito chique. O carro é a parte tangível da coisa toda; a parte intangível é o que você deseja obter interiormente, como recompensa, através do carro: status, admiração (ou inveja) das outras pessoas, conforto, etc. Quando você busca atividade física para melhorar sua estética, por exemplo, é isso que você está querendo: você irá treinar e fazer dieta (o tangível) para atingir objetivos que gerem compensações para o seu eu interior: satisfação de exibir um corpo mais bonito, ser admirado(a) e/ou desejado pelas pessoas, ser mais aceito socialmente... não, não adianta dar esse sorrisinho e tentar se enganar pensando “não, eu treino para manter minha saúde cardiovascular em dia”; TODO MUNDO gosta de receber atenção, carinho e aplausos. A partir de agora, analise VERDADEIRAMENTE quais seus objetivos ao ingressar seriamente em um programa de atividade física aliada à dieta.

 


                             "A primeira e melhor vitória é conquistar a si mesmo." (Platão)

 

 

 

             Bons professores (ou treinadores) sempre são uma motivação extra. No entanto, o mais importante é que você se sinta motivado. Para que isso ocorra, eu gostaria de mostrar algumas coisas que normalmente fazem alguém ter sucesso ao fazer atividade física:

1 – Lidar com a ansiedade. A ansiedade faz com que muita gente coma errado, durma mal, tenha más relações afetivas e profissionais, perca massa muscular, entre outras desgraças. Para lidar com a ansiedade não tenha vergonha, caso ache necessário, de recorrer a um bom psicólogo ou psiquiatra. Perca seus preconceitos bobos, com a mente mais clara e apaziguada, fica mais fácil traçar metas atingíveis dentro do que você deseja para si.

2 – Trace metas possíveis. Não adianta traçar objetivos impossíveis, como por exemplo: estou pesando 150 kg e, dentro de 6 meses, quero estar pesando 80 kg com um corpo musculoso e definido. Pequenos sucessos motivam mais, fracassos sucessivos acabam com qualquer motivação.

3 – Utilize-se de bons profissionais. Respeitando o seu “bolso”, não contrate os serviços de qualquer profissional. Quando utilizar os serviços de um profissional de Educação Física, Nutricionista, Médico, Psicólogo, Fisioterapeuta, etc. verifique se ele é formado, se está registro em seu respectivo conselho de classe, se você conhece alguém que foi bem atendido por ele. No caso de academias ou clubes, exija ser bem atendido, você está pagando por isso! Se você compra um carro e ele não funciona, o que você faria? Seja consciente, exija um atendimento correto, profissional e coerente com o que é oferecido na propaganda do estabelecimento.

4 – Seja positivo e procure se cercar de pessoas assim. Afaste-se dos “urucas” da vida, eles estão por baixo e querem ver você junto deles. Você é o construtor do seu destino, tome as rédeas dele.

         Bom, isso é tudo. Obrigado a todos que leem meu blog e até a próxima!




 Escrito por Fernando Rhodrigues às 07:03:12 PM [] [envie esta mensagem] []






MOTIVAÇÃO PARA TREINAR, SEGUIR DIETAS, ETC. -PARTE II


"As pessoas dizem frequentemente que a motivação não dura. Bem, nem o banho - e é por isso que ele é recomendado diariamente."
(Zig Ziglar)

 

Trad.: MOTIVAÇÃO - Não é a força e sim o desejo que nos move.

 

               Continuando o exemplo que dei semana passada, Samira resolveu encarar o treinamento na sala de musculação. Como nunca fez “o negócio”, seu professor estipulou um treino com cerca de 1 hora de duração, com parte aeróbia (caminhar / correr na esteira) e uma parte na musculação. Para não atrapalhar muito a rotina de Samira, ela vai treinar, inicialmente, três vezes por semana (não dá para sair “arrebentando” no treino logo no começo). O treino de Samira começa assim: ela faz cerca de 5 minutos de aquecimento na esteira, uma série de adaptação na musculação que dura algo entre 30-35 minutos e o restante da “uma hora-treino” é feita na esteira. Pergunta-se: por qual razão a maioria das pessoas desiste tão rápido de fazer musculação (traduzindo: perdem a motivação)? São vários fatores, entre eles:

1 – O treino foi mal elaborado: o professor montou um treino, “estourou” o aluno e ele fica tão dolorido que passa a semana seguinte sem ir à academia, tomando analgésicos. A dor muscular pós – treino é normal nas 48 horas após a sessão – mas ela deve ser tolerável, não chegando ao ponto de mandar você ao médico.

2 – O treino não é motivante: mesmo em alunos sedentários, a adaptação do organismo a uma série de exercícios é rápida. Já vi academias onde o aluno treina com praticamente a mesma série durante semanas sem alteração em nada: carga, número de repetições, tipo de exercício... e vai aí uma bronca, principalmente nas garotas: TREINAR ETERNAMENTE COM AQUELE PESINHO DE 1 KG NÃO PROMOVERÁ NENHUMA ALTERAÇÃO NO SEU CORPO; se você treina assim, sinto lhe informar que você está perdendo tempo e dinheiro na academia.

3 – Você não aprendeu a gostar de “puxar ferros”: uma figura chave é responsável por isso: seu professor. É o mesmo processo que ocorre quando você está sendo alfabetizado: se a sua professora era horrível, colocava medo em você nas provas, não possuía uma boa didática, não era afetiva, com certeza você teve dificuldades futuras no processo de aprendizado. Por que você acha que o resultado em musculação é muito maior quando a pessoa utiliza um personal trainer? A resposta é simples: maior atenção e motivação. Já vi pseudo – professores fazerem verdadeiras diabruras com alunos – exemplos: desprezar um idoso para dar atenção a uma menina bonitinha, perder a atenção à sala de musculação para conversar sobre futebol ou outra idiotice com os alunos, abrir e começar a ler (sim, a maioria dos professores de musculação é alfabetizado!) um jornal ou revista em pleno expediente, entre outras coisas pouco simpáticas.

         Você, homem ou mulher, só se sentirá motivado para manter-se firme no treinamento com pesos se os resultados começarem a aparecer. E eles só aparecem quando você se propõe a treinar com firmeza e disciplina e tem um professor compromissado com isso (sobre como se motivar, vou escrever na parte III – espero que vocês tenham paciência para ler sobre o assunto).

 


 Não, não é minha avó e não sou eu - a minha avó tem 87 anos e 35 de bíceps.

 

         Voltando ao exemplo, o professor de Samira fez um planejamento na sala de musculação para que ela comece a encarar as aulas de ginástica dentro de quatro semanas; esse será o período para que ela começa a adaptar o organismo, ganhar um pouco mais de resistência e avisar o corpo sobre as mudanças na rotina. Junto ao treino, ela resolveu procurar uma Nutricionista. O que faz uma pessoa falhar ao fazer uma dieta? Vários fatores. Entre eles podemos citar:

1) A dieta é muito radical (a pessoa ingeria 2000 calorias por dia e a dieta prescrita tem só 1000). Dietas radicais que diminuem de forma muito abrupta a quantidade de calorias ingeridas ou que simplesmente cortam cabalmente todas as coisas que a pessoa gosta estão, em minha opinião, fadadas ao fracasso. Mudanças de hábitos mais lentas geram resultados mais demorados, porém, mais duradouros.

2) A alimentação deve ser feita várias vezes ao dia; o organismo assimila 2000 calorias de diferentes formas se você as ingere em uma, três ou seis refeições. Quando comemos várias vezes ao dia, nosso metabolismo fica mais “esperto” e não procura estocar tanta gordura.

3) Para mudar radicalmente o corpo, é preciso quebrar paradigmas. Se você recebe uma dieta bem elaborada e pretende segui-la, não o faça do seu jeito, faça do jeito especificado. Há pessoas que não conseguem seguir a dieta porque não tomam o desjejum, ou não tem “tempo” de fazer um breve lanche entre o café e o almoço, ou na primeira oportunidade “chutam” a dieta e passam um fim de semana devastador, furando toda rotina alimentar, mesmo sabendo que isso irá gerar um atraso nos resultados.

         Já falei sobre isso em um post antigo, mas vale reforçar a ideia: o ser humano é o único animal que se alimenta para satisfazer o apetite e não a fome. Os animais só comem quando estão com fome; eu vejo isso todos os dias em casa, com os meus gatos: eu e minha esposa deixamos ração disponível em vários comedouros espalhados pela casa, no entanto, os bichanos vão até eles esporadicamente, sempre comendo pequenos bocados. Animais só se tornam obesos quando os donos permitem que eles sejam sedentários ou dão muitos “presentinhos” para eles. Já os seres humanos comem com os olhos; do ponto de vista nutricional, a sobremesa é uma coisa absolutamente inútil: você já ingeriu durante a refeição um monte de carboidratos, gorduras e proteínas, porém, irá aumentar a dose desses nutrientes ingerindo aquela sobremesa linda. Quantas vezes você já se empanturrou em uma festa ou comemoração, comendo e bebendo bastante e, quando seu organismo já está saturado, chega aquele manjar da vovó ou aquele sorvete “de marca”. Agora, a pergunta: mesmo sabendo que vão engordar, por que as pessoas fazem isso?

         A razão é muito simples. Funciona como um prêmio. Nos dias atuais, a nossa ansiedade é muito elevada. Se você parar para comer em frente a um aparelho de TV, ficará amplamente ansioso: notícias sobre crimes de toda natureza, desgraças acontecendo a todo o momento, desenhos infantis absolutamente estúpidos, assistir esportes e ficar nervoso com o desempenho de sua equipe favorita, assistir novelas amalucadas e ficar ansioso com as bobagens que acontecem lá... Fora isso, há um estresse natural do trabalho, da vida familiar, da vida em sociedade, etc. O que muita gente faz para compensar essa ansiedade? Dá prêmios a si mesmo em forma de petiscos. É um mecanismo básico: ANSIEDADE – gera necessidade de auto – compensação – COMER “BESTEIRAS” – aliviam, momentaneamente, a ansiedade – FRUSTRAÇÃO – é o que se sente quando sentimos culpa por haver comido além da conta. Muitos desses problemas poderiam ser resolvidos em um consultório psicológico, mas em nosso país as pessoas tem muito preconceito em relação a isso, devido à falta de cultura e informação. A atividade física reduz muito o estresse elevado; caso você treine direito e mesmo assim continue muito estressado(a), consulte um Psicólogo; se não fizer bem, tenho certeza que mal não fará.

 

 

               Voltando a escrever sobre treinamento, eu dei exemplo da academia, mas essa não é, evidentemente, a única forma de treinar; se você está realmente motivado(a), seria muito interessante encontrar uma atividade física que você goste de fazer. Lembre-se que o organismo se adapta rápido ao exercício, que é considerado pelo nosso corpo como um agente agressor. Por exemplo: se você era absolutamente sedentário e resolve iniciar um programa de caminhada e mantiver, durante o treino, o mesmo trajeto, velocidade e duração, chegará um momento em que não ocorrerão mais adaptações fisiológicas positivas, pois seu organismo já se acostumou ao exercício. É necessário sempre estar incrementando, colocando novos desafios (viáveis) para seu corpo e mudando sempre as rotinas. E lembre-se: treinamento de atleta é para atleta. Atletas profissionais treinam muito, alguns (?!) usam auxílios ergogênicos ilícitos e praticamente todos tem morte prematura. Duvida? Faça uma busca na Internet e veja quantos anos viveram alguns dos mais famosos atletas olímpicos.

         Sobre Samira, ela está em um bom caminho: o treino está ok, a dieta está ok e, o mais importante, ela está amplamente motivada. Na parte III, explicarei como quebrar paradigmas e conseguir se motivar para ingressar em um programa de atividades físicas + dieta. Espero que tenham gostado do post. Até a próxima!


 




 Escrito por Fernando Rhodrigues às 10:20:05 AM [] [envie esta mensagem] []




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