Blog do Personal Trainer


TREINAR VALE MESMO A PENA? - PARTE I

 

BARRIGA É BARRIGA (Crônica de Arnaldo Jabour)

 ”Barriga é barriga, peito é peito e tudo mais”... Confesso que tive a agradável surpresa de ver Chico Anísio, no programa do Jô, dizendo que o exercício físico é o primeiro passo para a morte. Depois de chamar a atenção para o fato de que raramente se conhece um atleta que tenha chegado aos 80 anos e citar personalidades longevas que nunca fizeram ginástica ou exercício - entre elas o jurista e jornalista Barbosa Lima Sobrinho - mas chegou à idade centenária, o humorista arrematou com um exemplo da fauna: a tartaruga com toda aquela lerdeza, vive 300 anos. Você conhece algum coelho que tenha vivido 15 anos? 

Gostaria de contribuir com outro exemplo, o de Dorival Caymmi. O letrista compositor e intérprete baiano era conhecido como pai da preguiça. Passava 4/5 do dia deitado numa rede,bebendo, fumando e mastigando. Autêntico marcha - lenta, levava 10 segundos para percorrer um espaço de três metros. Pois mesmo assim, e sem jamais ter feito exercício físico, viveu 90 anos. 

Conclusão: Esteira, caminhada, aeróbica, musculação, academia? Sai dessa enquanto você ainda tem saúde... E viva o sedentarismo ocioso !!! Não fique chateado se você passar a vida inteira gordo. Você terá toda a eternidade para ser só osso !!! 

Então: NÃO FAÇA MAIS DIETA !! Afinal, a baleia bebe só água, só come peixe, faz natação o dia inteiro, e é GORDA ! O  elefante só come verduras e é GORDOOOOOOOOO! VIVA A BATATA FRITA E O CHOPP!

Você, menina bonita, tem pneus? Lógico, todo avião tem! 

E nunca se esqueçam: Se caminhar fosse saudável, o carteiro seria imortal... 

 

 

              Faz um certo tempo que conheço essa crônica do brilhante Arnaldo Jabour. Ela voltou a minha memória esses dias, quando um amigo a enviou para mim. Eu a considero divertida, acreditem, e gostaria de usá-la como ponte para o tema que coloquei acima: Treinar vale a pena? Evidentemente, para "defender o meu peixe", vou provar que sim.

 

            Sabemos que os organismos vivos envelhecem. O número de anos de um ser vivo é determinado geneticamente: algumas espécies realmente chegam a viver mais de cem anos, enquanto algumas vivem apenas poucos anos. Com o ser humano não é diferente. O que determina o motivo pela qual alguns seres humanos vivem muitos anos e outros não conseguem atingir grandes idades ainda é um mistério, mas é bem conhecido e comprovado pela ciência que podemos controlar vários fatores externos que nos permitem prolongar ou encurtar a vida. Hábitos como fumar, beber em excesso, usar drogas são apenas alguns dos fatores que tem grande influência sobre o fato de ser uma pessoa com uma longa vida ou não.

         Na crônica de Arnaldo Jabour, ele cita o exemplo do cantor baiano Dorival Caymmi. Realmente, o baiano levou pelo menos cinco anos para morrer repentinamente. Mas o fato de não se exercitar e não fazer nenhum tipo de dieta específica não explica a longevidade do artista baiano. Além da genética privilegiada que permitiu isso, creio que o fato de não ser nem um pouco estressado ajudou bastante. Imagine o que acontece com seu organismo com a constante exposição do mesmo à poluição (visual, sonora e química), agentes estressores sociais (necessidades impostas pela sociedade tais como ser uma pessoa de sucesso profissional e familiar, ser uma pessoa esteticamente atraente, honrar todos os compromissos, suportar a violência vigente da sociedade e o modo como os elementos da mídia exploram a mesma, entre outras coisas), agentes estressores químicos (alimentação de baixa qualidade, utilização de drogas e bebidas alcoólicas, exposição a várias doenças epidêmicas) etc. Se não houver da sua família que tenha advindo do meio rural, tente conhecer a história dessas pessoas. Muitas delas cresceram sem geladeira e televisão, se alimentando com carnes gordurosas que eram conservadas em banha (não havia freezer, lembra?) e a alimentação dessas pessoas, segundo pesquisas, era muito maior do que a que fazemos onde em dia. Então, por que essas pessoas não tinham tantos problemas cardíacos, hipertensão, diabetes, mal de Alzheimer, e tantos outros males cada vez mais comuns hoje em dia e atingindo muitas vezes pessoas na tenra idade? A verdade é que vivemos uma vida muito mais estressante e sedentária; nossos pais, avós e bisavós muitas vezes trabalhavam no campo, não eram obrigados a ver a nossa “TV desgraça” de todo dia, não pegavam um trânsito infernal todos os dias, faziam muito mais atividade física, comiam muito mais comida e eram bem mais simples e felizes. A sociedade atual, de certo modo, impõe ao cidadão uma grande necessidade de SER e TER. SER uma pessoa bem sucedida, SER uma pessoa bem sucedida nos âmbitos financeiro – social – acadêmico, SER uma pessoa que atenda a padrões estéticos impostos pelas propagandas e suas modelos esquálidas, TER aquele carro do ano, TER aquela casa, TER o animal de estimação mais bonito, TER aquele companheiro (a) com cara de estrela de Hollywood, entre outras coisas. Isso tudo gera estresse e ansiedade extremos, que acabam por se manifestar em nossos organismos como enxaqueca, insônia, depressão, sistema imunológico baixo, obesidade, entre outras coisas piores.

 

             

 

 

 

            A gordura funciona em nosso organismo como barreira protetora e como isolante térmico. Muita gente acumula peso exatamente para criar barreiras contra o mundo externo; se analisarmos essas pessoas, estão cheias de medo, ansiedade, insegurança... Essa ansiedade direcionada para comida prejudica muito a saúde; uma pessoa com altos níveis de ansiedade como por impulso e mesmo que não o faça, pode acabar engordando por produzir altos níveis de cortisol. O que é cortisol? É um hormônio liberado em nosso organismo quando estamos estressados. Ele tem uma função anestésica e, na verdade, é bastante útil para nosso organismo. O problema é que, quanto mais estressados, mais cortisol, e esse hormônio tem como fato negativo sua grande capacidade de escalpelar a nossa musculatura esquelética. Aí, fica fácil entender como se engorda mesmo não comendo muito: menos massa muscular = metabolismo mais lento = acúmulo de gordura. Então, o combate ao estresse é uma ferramenta fundamental para uma qualidade de vida maior (com consequências benéficas para a saúde e a estética).

         No texto de Jabour, ele fala sobre a longevidade baixa dos atletas. Realmente, é muito raro que um atleta se torne uma pessoa bastante idosa. Já expliquei, em posts antigos, que ESPORTE NÃO É SAÚDE. Qualquer esporte, quando praticado como meio de entretenimento e busca da saúde, é altamente positivo. No entanto, atletas de elite treinam MUITO além do normal e, para algumas modalidades, COMEM muito além do normal (fora a utilização de alguns “aditivos” químicos, vamos chamá-los assim...). Quando treino uma pessoa, muitas vezes ela acaba ficando frustrada e desanimada ao verificar a quantidade de trabalho (treino pesado) e o controle nutricional necessários para obter aquele corpo das capas de revista (sem photoshop, por favor). Ao treinar, você precisa de um foco bastante claro do seu momento atual e o que você espera de si mesmo após “x” tempo de treinamento. Corpos esculturais exigem dedicação integral, assim como acredito acontecer com quaisquer outras carreiras.

 

            Ninguém é imortal. Já vi muitas pessoas dizerem “vou fazer isso ou aquilo, afinal, vou morrer mesmo”. A morte é a única e inabalável certeza da vida, por incrível que pareça; e o problema, para mim, não é quantos anos irá se viver, mas COMO iremos viver. Viver se torna muito mais interessante com saúde, qualidade de vida e satisfação pessoal. Pense nisso!

              Em meu próximo post, irei escrever sobre meios de abandonar a vida sedentária sem se furtar dos prazeres da vida. Abraços e até a próxima!

 



 Escrito por Fernando Rhodrigues às 07:56:27 PM [] [envie esta mensagem] []




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